Na semana passada apresentamos (essenciais para o escalonamento/crescimento de ecossistemas de negócios a partir das novas tecnologias digitais), tais como preconizado pelo consultor indiano Sangeet Paul Choudary, a saber o dos Agregadores. Nesta newsletter iremos tratar do segundo tipo, o dos Integradores.

Os integradores integram ao longo de um diverso leque de parceiros de produção (provendo ofertas) e de parceiros de distribuição (servindo demandas) para organizar um ecossistema fragmentado. Eles gerenciam, no ecossistema B2B (Business-to-Business), interações entre supply-side players (agentes do lado da oferta, tipicamente produtores/manufatureiros) e demand-side players (agentes do lado da demanda, tipicamente distribuidores) através do uso de APIs – Application Programming Interfaces.

Os integradores agem como switchboards (quadros de distribuição) integrando: (1) APIs ofertadoras de produtos, no lado da oferta/produção, com; 2) ambientes de distribuição (websites, apps, e outros serviços digitais), no lado da demanda/consumo.

Por exemplo, no ecossistema de distribuição de viagens as plataformas Amadeus (ver https://amadeus.com/en/portfolio.travel-distribution) e Sabre (ver https://www.sabre.com/) agem como integradores, integrando ao longo de provedores de inventários (hotéis, linhas aéreas, etc.) e pontos de distribuição (agências de viagens online).

No ecossistema de serviços financeiros BAAS (provedores do modelo de negócios de Banking as a Service), tais como Galileo (ver https://www.galileo-ft.com/) ou Plaid (ver https://plaid.com/) integram múltiplos serviços financeiros provendo acesso one-stop (único) a players fintech e de ecommerce procurando por serviços financeiros específicos.

Os integradores ofertam uma oportunidade de agregar múltiplos serviços a partir de um diverso ecossistema de provedores e guiam eficiências ao agirem como um ponto único de distribuição ao longo de um ecossistema crescentemente modular e diverso.

Eles desempenham três funções chave em um ecossistema de negócios:

  • Integração de serviços do lado da produção: os integradores integram serviços no lado da produção para entregarem um ponto único de distribuição para parceiros de distribuição. É só pensar em plataformas de Banking-as-a-Service;
  • Câmbio de Dados: os integradores facilitam o pareamento e o câmbio de dados entre os lados da produção e do consumo do ecossistema, especificamente entre manufatureiros/produtores e distribuidores;
  • Analítica de Consumidores: os integradores podem agregar dados ao longo de distribuidores no lado do consumo do ecossistema e provêm analítica para parceiros da produção.

De forma esquemática, Choudary nos mostra (ver Figura 1 à frente) como os integradores escalam e dominam através de dois fatores chave: os Learning Effects (Efeitos de Aprendizado) e os Network Effects (Efeitos de Rede). Observando, de um lado, a esfera à esquerda da Figura 1, os integradores primeiramente se beneficiam a partir dos efeitos de aprendizado onde mais parceiros de distribuição geram mais dados agregados da demanda, levando a pareamento e analítica superiores, levando, por sua vez, a maior participação tanto de parceiros da produção quanto da distribuição.

Por outro lado, pela esfera à direita da Figura 1, os integradores se beneficiam dos efeitos de rede cruzados, onde mais participação dos parceiros da distribuição aumentam o potencial de distribuição do integrador, e atrai mais parceiros de produção, os quais, por seu turno, aumentam a disponibilidade de oferta ao integrador, atraindo ainda mais parceiros de distribuição, portanto, criando um feedback loop.

Na próxima newsletter nós apresentaremos o perfil dos Provedores de Infraestruturas como outro tipo de modelo de negócio horizontal.

Se sua empresa, organização ou instituição, deseja saber mais sobre escalagem de ecossistemas de negócios, não hesite em nos contatar!

Figura 1 – Como os integradores escalam e se beneficiam

Infográfico mostrando  como os integradores escalam e se beneficiam

Fonte: https://platforms.substack.com/p/ecosystem-business-models-a-teardown