Na semana que passou iniciamos esta série focando nossa atenção para o Brasil, mas desta feita com um olhar diferenciado: a partir da ótica do que em Economia denominamos como “Coordination Problem” (Problema de Coordenação). Apontamos o que é o conceito de problema de coordenação, demos exemplos, tipos e implicações. Hoje vamos tratar de uma questão associada: os custos de cooperação e como eles ajudam a explicar por que a coordenação é difícil, frágil, ou falha – mesmo quando a cooperação torna a todos melhores.
Os custos de cooperação são fricções do mundo real que tornam a ação coordenada cara, arriscada ou instável. Eles incluem:
- Custos de informação: Aprender as intenções, as preferências ou a confiabilidade dos outros
- Custos de transação: Negociação, contratação, monitoramento e imposição
- Custos de compromisso: Dificuldade em fazer promessas críveis ou acordos amarrados
- Custos de confiança e de cumprimento: Risco de deserção, free-riding (carona), ou oportunismo
- Custos distributivos e políticos: Quem ganha, quem perde, e como o excedente é dividido
- Custos cognitivos e culturais: Normas diferentes, crenças, expectativas, ou convenções de coordenação
E como os custos de cooperação geram problemas de coordenação?
- Falhas de coordenação são frequentemente cost-driven (orientadas por custo)
- Na teoria, os jogos de coordenação têm equilíbrio Pareto-superior
- Na prática, os agentes podem resolver/optar por resultados inferiores porque o custo de atingir e sustentar cooperação pode exceder os benefícios esperados. Exemplos:
- Empresas sub-investem porque o investimento em coordenação requer signaling (sinalização) e confiança custosos
- Países falham em coordenar ação do clima porque monitorar e fazer cumprir são ações custosas
- Custos de cooperação fazem emergir o risco de aproveitamento
Quando os custos de cooperação são altos:
- Os agentes temem que a cooperação unilateral os deixe em situação pior
- O equilíbrio de risco dominante substitui aquele de maximização do bem-estar
Isto explica porque:
- Economias ficam presas em armadilhas de baixo crescimento
- Instituições informais persistem apesar de ineficiências
- A coordenação falha mesmo com conhecimento comum dos ganhos mútuos
Há outras questões que também são relevantes na relação do problema de coordenação e dos custos de cooperação. As instituições são entendidas como redutoras de custos de cooperação (elas existem para rebaixar custos de cooperação). Ter uma perspectiva dinâmica (intertemporal) é fundamental porque altos custos de cooperação mais cedo podem aprisionar sociedades em equilíbrios inferiores, podem criar expectativas auto reforçadoras, e podem produzir mais tarde coordenação ainda mais caras.
Uma síntese geral pode ser resumida da seguinte forma. O problema de coordenação surge porque a cooperação é custosa. Os custos de cooperação determinam se os agentes podem se mover de um comportamento individualmente racional para resultados coletivamente eficientes.
Na próxima newsletter vamos tentar argumentar que dois instrumentos da Sociedade e da Economia, a Constituição e a Moeda, são poderosos dispositivos de coordenação, ainda não devidamente entendidos como tal, e que ambos estão na base do que estamos conceituando por um “país descoordenado”!
Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre o problema da coordenação na economia, não hesite em nos contatar!
