Na série de newsletters publicadas em , e , apresentamos o que entendemos como a Teoria da Economia Informacional, suas 7 Leis Fundamentais, e um Modelo Matemático mínimo de três equações estruturais capazes de gerar essas sete leis.

Mas para dar mais solidez científica à teoria, estivemos investigando várias nuances conceituais do que estamos construindo (tais como integração da informação, instituições, coordenação, e estruturas micro e macro) que impliquem em um modelo comportamental que difira dos postulados padrão tradicionais da Economia.

E foi assim que chegamos a uma estruturada reconstrução da visão do comportamento humano em nossa Teoria da Economia Comportamental (1). Esta reconstrução aponta para 09 (nove) dimensões constitutivas e 03 (três) sintetizadoras. Listemos, então, as dimensões constitutivas.

  1. Hipótese Central: Humanos como Agentes Informacionais (2)

    No arcabouço da Teoria, os indivíduos não são primariamente:

    • Maximizadores de utilidade (como na Economia Neoclássica), nem
    • Atores seguidores de normas (como na Sociologia Clássica)

    Ao invés, eles são: Agentes informacionais operando com/sob restrições de atenção, cognição e coordenação. O problema central deles é “como processar, interpretar e agir sob informação em sistemas complexos”.

  2. Racionalidade Limitada => Racionalidade Informacional

    Aqui nós nos movemos para além da racionalidade limitada propugnada por Herbert Simon (Prêmio Nobel de Economia de 1978), ou seja, para a Racionalidade Informacional. Nela os agentes não podem processar todas as informações disponíveis. Eles devem selecionar, filtrar, e priorizar sinais. Eles devem se apoiar em heurísticas, instituições e infraestruturas.

    A tomada de decisão se torna “um problema de gerenciar escassez informacional, e não somente escassez de recursos”.

  3. Atenção como o Recurso Escasso

    Nossa teoria muda a fronteira da escassez: Na economia industrial => a escassez era de recursos materiais. Na economia informacional a escassez é de atenção e de largura de banda cognitiva. Isto se alinha parcialmente com o discernimento de Herbert Simon de que: “Uma riqueza de informação cria uma pobreza de atenção”. Em nosso modelo isto se torna sistêmico, não somente individual. O comportamento é conformado por: mecanismos de filtragem, sistemas de ranqueamento, mediação algorítmica, e seleção de sinal institucional.

  4. Agentes como Nós em Redes (e Não Indivíduos Isolados)

    Nosso modelo comportamental é fundamentalmente relacional. Apoiando-nos no sociólogo Manuel Castells: a) Indivíduos são incorporados em redes informacionais; b) Preferências são parcialmente endógenas aos fluxos de informação; e, c) O comportamento emerge de: posição na rede; acesso à informação, e conectividade. Isto implica que o comportamento é codeterminado pela estrutura + acesso à informação.

  5. Preferências Endógenas e Crenças

    Ao contrário da economia neoclássica (de preferências fixas), nossa teoria assume que: a) As preferências são formadas e atualizadas através de informação; b) As crenças são revisadas continuamente; e, c) As narrativas, sinais, e fluxos de dados conformam as decisões. Isto conecta com as ideias dos economistas George Akerlof e Robert Shiller, mas em nosso caso, “informação não é somente influência, é infraestrutura”.

  6. Coordenação mais que Otimização

    Na economia tradicional os indivíduos otimizam => e os mercados coordenam. Em nossa teoria os indivíduos lutam para interpretar => e os sistemas devem coordenar a informação. Logo, o comportamento é: buscador de coordenação sob incerteza informacional. Sendo assim, os agentes se apoiam em: instituições, plataformas, padrões, e sinais públicos.

  7. Dependência de Infraestrutura Informacional

    O comportamento é mediado por: plataformas digitais, sistemas de dados, sistema de IA, e instituições informacionais do Estado. Isto significa que “o agenciamento é parcialmente externalizado em infraestrutura”. Logo, as decisões são coproduzidas por: cognição humana e sistemas algorítmicos.

  8. Comportamento Estratégico sob Assimetria de Informação (Amplificado)

    Assimetria de informação não é nada novo, mas em nossa teoria as assimetrias são massivas e estruturais. Os atores podem: manipular sinais, controlar visibilidade e conformar narrativas. Assim, o comportamento inclui sinalização, captura de atenção, e controle de informação.

  9. Aprendizado como um Processo Comportamental Central

    Aqui os agentes estão continuamente atualizando modelos do mundo, adaptando-se a novos sinais, e revisando estratégias. Isto torna a economia um sistema de aprendizado dinâmico.

Agora passamos às três dimensões sintetizadoras. São elas:

  1. Sumário: Axioma Comportamental da Teoria

    Podemos formalizar nossa hipótese implícita como:

    Os agentes são informacionalmente limitados, incorporados em rede, aprendizes restringidos por atenção que se apoiam em infraestruturas institucionais e tecnológicas para coordenar decisões sob incerteza.

  2. Comparação Compacta

    Dimensão Neoclássica Sociologia Economia Informacional
    Racionalidade Completa/Limitada Guiada p/Normas Informacionalmente restringida
    Preferências Fixas Socialmente conformadas Endógenas à informação
    Escassez central Recursos Ordem Social Atenção/Informação
    Unidade de análise Indivíduo Estrutura social Agente informacional em rede
    Coordenação Mercados Instituições Sistemas informacionais
  3. O Discernimento Chave

    A mudança comportamental mais profunda de nossa teoria:

    O problema econômico fundamental não é mais a alocação de recursos, mas sim a coordenação através de informação sob restrições cognitivas.”

Em síntese, temos agora, com a Teoria da Economia Informacional, uma reorientação dos postulados clássicos do comportamento humano mais adaptada ao contexto da Era da Informação e da Inteligência Artificial. Resta-nos formalizar isso em um modelo de utilidade/decisão com micro fundamentos. Mas isso fica para outra oportunidade. Na próxima newsletter trataremos do comportamento das empresas.

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre o comportamento humano na Teoria da Economia Informacional, não hesite em nos contatar!

PS: Esta newsletter se valeu da ajuda do ChatGPT!

  1. A visão do comportamento da empresa deixaremos para a próxima newsletter.
  2. Nós consideramos que há uma distinção entre agentes informacionais humanos e agentes digitais. Resumidamente, a diferença ontológica é baseada em significado e processamento. Os agentes informacionais humanos operam no domínio do significado, e interpretam informação através da cultura, de normas, emoções e contexto. Informação é semântica e situada. Humanos entendem informação. Já os agentes digitais (IA, algoritmos, plataformas) operam no domínio da manipulação simbólica. Processam insumos via regras, inferência estatística e funções otimizadoras. Informação é sintática e formalizada. Agentes digitam computam informação.